"Se houvesse um critério pedagógico a ordenar as opções da política educativa, é evidente que o governo ao invés de reduzir teria de aumentar o tempo do Desporto Escolar e da Educação Física curricular respeitando ao menos as orientações da comunidade europeia já que ignora a comunidade científica de Educação Física. A jornalista elencou alguns motivos que justificam a sua apreensão. Parecem óbvios. E não é necessário ser-se um especialista na área da motricidade para demonstrar que os tempos da hipocinésia estão aí com todas as suas maleitas, que erradamente se designam de maleitas civilizacionais. Como se o retrocesso civilizacional pudesse encerrar algum propósito de humanidade." quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
"Se houvesse um critério pedagógico a ordenar as opções da política educativa, é evidente que o governo ao invés de reduzir teria de aumentar o tempo do Desporto Escolar e da Educação Física curricular respeitando ao menos as orientações da comunidade europeia já que ignora a comunidade científica de Educação Física. A jornalista elencou alguns motivos que justificam a sua apreensão. Parecem óbvios. E não é necessário ser-se um especialista na área da motricidade para demonstrar que os tempos da hipocinésia estão aí com todas as suas maleitas, que erradamente se designam de maleitas civilizacionais. Como se o retrocesso civilizacional pudesse encerrar algum propósito de humanidade." terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Menos desporto e mais quatro quilos
domingo, 9 de janeiro de 2011
Dia - Dia da semana - Turma - Aula - Hora - Sala
10-01-2011 2.ª Feira 9.º D Formação Cívica 10:20 h - 11:50 h G0 1
10-01-2011 2.ª Feira 9.º F Formação Cívica 10:20 h - 11:50 h Auditório
11-01-2011 3.ª Feira 9.º E Formação Cívica 12:00 h - 13:30 h Auditório
12-01-2011 4.ª Feira 9.º C Formação Cívica 12:00 h - 13:30 h Auditório
13-01-2011 5.ª Feira 9.º G Formação Cívica 10:20 h - 11:50 h Auditório
14-01-2011 6.ª Feira 9.º A Formação Cívica 10:20 h - 11:50 h 213
14-01-2011 6.ª Feira 9.º B Formação Cívica 13:50 h - 15:20 h 104
domingo, 2 de janeiro de 2011
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Já dizia o velho Hipócrates, por muitos considerado o pai da medicina: "Todo o excesso é mau." Ou, como lembrava o escritor francês Jean-Pierre Claris de Florian, "o excesso de um grande bem torna-se um mal muito grande." As duas máximas aplicam-se ao stresse. Na dose certa, é um mecanismo fundamental à sobrevivência - sem ele "estaríamos todos mortos", nota o psiquiatra e fundador do Instituto de Prevenção do Stresse, Rui Mota Cardoso. Mas, em excesso, o stresse é um perigo sério. Tão sério que pode matar-nos. Chamam-lhe "a doença mais mortífera do século XXI", mas não é ele a premir o gatilho. O crime encomenda-o a uma lista de patologias assassinas a que está associado, do Alzheimer às doenças cardiovasculares, passando pela depressão e outros males.
Numa situação de stresse normal, o organismo retoma o estado inicial ao fim de alguns minutos. O problema é que na montanha-russa dos dias o gatilho é premido vezes sem conta, a um ritmo que pode não ter espaço para recuperar. O stresse torna-se crónico. Para atacar o problema, Robert Sapolsky, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, um dos mais proeminentes neurocientistas mundiais, está a trabalhar no desenvolvimento de um tratamento que funcione como uma vacina para o stresse. Trata-se, no fundo, de recorrer à engenharia genética para provocar a libertação de proteínas protetoras que impeçam o excesso de stresse de danificar o organismo. O tratamento está muito longe de poder ajudar alguém - serão precisos vários anos até que chegue à fase de ensaios clínicos - mas os primeiros testes em laboratório foram animadores: a injeção foi capaz de prevenir quase todos os danos celulares em ratos que foram submetidos a stresse. "Para ser honesto, ainda estou espantado por ver que funciona", disse Sapolsky à revista "Wired". "Provámos que conseguimos reduzir os danos neuronais provocados pelo stresse".
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Para saber mais:
- Telefone para Linha SIDA – 800 26 66 66
- Consulte Coordenação Nacional da Infecção VIH/SIDA – Alto Comissariado da Saúde - http://www.sida.pt
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
COMO DEIXAR DE FUMAR
A American Cancer Society sugere:
2 . Dificulte o seu acesso aos cigarros. Embrulhe o maço e ate-o com elásticos. Fume com a mão esquerda, se está habituado a fumar com a direita.
3 . Compre uma marca de que não goste, mas só um maço de cada vez.
4 . Se costuma fumar quando bebe café, passe a beber chá ou sumo de fruta.
5 . Preste atenção ao seu corpo. Readquira uma boa forma física. O exercício físico favorece a descontracção.
6 . Telefone aos amigos, anunciando-lhes que vai deixar de fumar.
7 . Se puder passar sem o cigarro um dia inteiro, também poderá passar dois. Experimente.
8 . Economize o dinheiro que poderia gastar.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
a nova professora da minha filha mais velha, mas já gosto dela por antecipação. Três dias depois de ter entrado para a primária, a Carolina declarou solenemente: “A minha professora é brava”. Brava?!?, perguntei eu. “Sim, brava. Ela não me deixa espreguiçar, ela não me deixa bochechar [a Carolina queria dizer ‘bocejar’], ela não me deixa beber água [a Carolina queria dizer ‘ela não me deixa interromper a aula para fazer o que me apetece’]. É muito brava”. Eu, que estava com algum receio de colocar a Carolina no ensino público, respirei de alívio. “Ufa, parece que lhe saiu a professora certa”, comentei com a minha excelentíssima esposa. Receava que lhe tivesse calhado alguém que falasse com ela como a ministra Isabel Alçada falou connosco no famoso vídeo de início do ano lectivo: como se o nosso cérebro estivesse morto e todo o acto de aprendizagem tivesse de ser um desmesurado prazer. A Carolina vinha de um infantário fantástico, que tem feito maravilhas pelos nossos filhos, mas onde era mais mimada do que o menino Jesus no presépio.
Ora, chega uma fase na vida em que as crianças têm de perceber o que significa a disciplina, o esforço, a organização, o silêncio, o saber estar numa sala de aula, e toda uma vasta parafernália de actividades que não são tão agradáveis como comer Calippos de morango ou gerir o guarda-roupa das Pollys – mas que ainda assim são essenciais para viver em sociedade. A minha filha está na idade certa para aprender que tem a obrigação de gastar 20 minutos diários a fazer o trabalho de casa. Para perceber que uma irmã mais velha tem mais privilégios mas também mais deveres do que os seus irmãos. Para compreender que com muito poder vem muita responsabilidade (sábias palavras do tio do Homem-Aranha). É essencial que estes valores – que atribuem o devido mérito à liberdade e ao esforço individual – estejam alinhados entre a casa e a escola. Isso nem sempre acontece. A nossa escola passou num piscar de olhos da palmada no rabo à palmadinha nas costas. Ninguém tem saudades da palmatória, mas quando perguntam aos pais o que eles mais desejam para a escola dos seus filhos, a resposta costuma ser esta: regras claras e maior exigência. Os professores bravos fazem muita falta. Hoje a Carolina protesta. Amanhã irá agradecer-lhe."domingo, 17 de outubro de 2010
terça-feira, 5 de outubro de 2010
A água é um bem essencial à Vida que se tem tornado cada vez mais escasso. Perante a ameaça de
um futuro sem água, todos somos chamados a agir no sentido de preservar o nosso bem mais precioso. Saiba como contribuir para esta causa que é de todos, começando por mudar hábitos e atitudes em sua casa.
A casa-de-banho é responsável por uma parte considerável da água que consumimos em casa, nomeadamente através das descargas do autoclismo. Com efeito, o consumo dos autoclismos representa 40% do total do consumo doméstico. Resulta daqui que o consumo médio anual associado à utilização do autoclismo se estima em 45 mil litros por fogo, ou seja, 230 mil milhões de litros no País.
Mas o consumo de água pelo autoclismo pode ser controlado através de pequenos gestos do dia-a-dia que fazem toda a diferença: - ajuste o autoclismo para o volume de descarga mínimo (quando aplicável);
- use a descarga de menor volume, ou interrompa-a, para usos que não necessitem da descarga total (e.g. urina);
- coloque o lixo num balde apropriado a esse fim, evitando deitar lixo na bacia de retrete e a descarga associada;
- reduza o volume de armazenamento (colocando garrafas, pequenas barragens plásticas, etc.), evitando no entanto usar objectos que se deteriorem ou que impeçam o bom funcionamento dos mecanismos;
- não efectue descargas desnecessárias do autoclismo;
- reutilize a água de outros usos para lavagem da bacia de retrete (em situações de escassez);
Por outro lado, o consumo de água na casa-de-banho depende muito de como fazemos a nossa higiene pessoal. A maioria dos fogos portugueses possui pelo menos um chuveiro e uma banheira. Os banhos e duches são usos bastantes significativos na habitação, representando cerca de 39% do consumo médio diário, existindo um potencial de poupança significativo para medidas que reduzam o volume gasto em cada utilização, sem ser sacrificado o conforto do utilizador.
Há muito que pode fazer para controlar a água usada na banheira/chuveiro:- utilize preferencialmente o duche em alternativa ao banho de imersão;
- tome de duches curtos, com um período de água corrente não superior a 5 minutos;
- feche da água do duche durante o período de ensaboamento;
- em caso de opção pelo banho de imersão, utilize apenas 1/3 do nível máximo da banheira;
- recolha a água fria corrente até chegar a água quente à torneira, para posterior rega de plantas ou lavagens na habitação (em situação de escassez);
Como vê está ao nosso alcance reduzir o consumo de água para garantir um futuro com água para todos!
domingo, 3 de outubro de 2010
Cerca de 1,7 milhões de vacinas contra a gripe começam hoje a ser vendidas nas farmácias. A estas juntam-se cerca de 300 mil, que vão ser distribuídas nos centros de saúde, de forma gratuita, pelas pessoas mais desfavorecidas e institucionalizadas. Desta vez, a vacina imuniza também contra o vírus da gripe A."Neste momento, as farmácias e os centros de saúde estão a ser abastecidos com as vacinas necessárias", afirma a subdirectora geral da Saúde, Graça Freitas. Fonte da Associação Nacional de Farmácias (ANF), contactada pela agência Lusa, confirma que as farmácias já têm disponíveis as vacinas, que poderão ser compradas mediante apresentação de receita médica, válida até 31 de Dezembro. Nas administrações regionais de saúde, e para serem colocadas nos centros de saúde, estão também já as vacinas que irão ser distribuídas gratuitamente aos residentes de lares de idosos de instituições particulares de solidariedade social, das misericórdias e de gestão directa da Segurança Social, aos doentes integrados na rede de cuidados continuados e beneficiários do complemento solidário para idosos. A Direcção-Geral de Saúde (DGS) pretende que, este ano, a vacina atinja mais de 75% das pessoas em instituições e acima de 50% da população considerada prioritária: idosos com mais de 65 anos, doentes crónicos e imunodeprimidos ou grávidas com mais de 12 semanas de gestação.
Não há data concreta para o início da vacinação – uma informação que Graça Freitas não quis também adiantar, para "não criar ansiedade nas pessoas e gerar uma corrida às vacinas". "Nós aconselhamos a vacinação em Outubro. O dia exacto é quando as pessoas quiserem", diz a subdirectora geral da Saúde, adiantando que "pode acontecer que algum local ainda não tenha a vacina disponível e isso pode gerar ansiedade nas pessoas". A subdirectora geral de Saúde apela ainda aos médicos que façam uma "prescrição criteriosa, para que a vacina chegue a quem precisa". Para prevenir a transmissão da gripe, Graça Freitas aconselhou os portugueses a manterem as medidas que "tão bem interiorizaram" de higiene das mãos, de "etiqueta respiratória" e de distanciamento social para evitarem a propagação do vírus H1N1. "São medidas que servem para qualquer doença que se transmite da forma como a gripe o faz. São medidas que devíamos adoptar no dia-a-dia", defende. Graça Freitas apela ainda às pessoas que têm indicação para serem vacinadas para o fazerem, porque "a vacina é eficaz, segura e protege-as da doença e das suas complicações".
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Estilos de vida saudáveis Ter saúde e sentir-se jovem e com energia depende mais do estilo de vida do que dos cuidados médicos, por melhores e mais especializados que estes sejam.
quarta-feira, 26 de maio de 2010
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Dica #2: quer fazer um caminho diferente para ir à escola;
Dica #3: demonstra súbita falta de interesse pelas actividades escolares;
Dica #4: tem queda repentina nas notas;
Dica #5: de repente prefere a companhia dos adultos;
Dica #6: evita certas áreas da escola;
Dica #7: queixa-se de ameaças e agressões;
Dica #8: torna-se repentinamente irascível e rebelde;
Dica #9: sente-se deprimido;
Dica #10: apresenta repentina perda de respeito pelos professores e funcionários.
Adaptado de:
http://www.profblog.org/
segunda-feira, 22 de março de 2010
sábado, 13 de março de 2010
domingo, 7 de março de 2010
O país, meio acordado do pesadelo, inquire a medo: o que se passou? Como pôde isto acontecer? Escreveram-se notícias, fizeram-se reportagens, encheram-se programas matinais com o assunto. E muita gente falou, e muita gente avançou soluções sobre como prevenir situações destas. Prevenir. Mas poucas pessoas sugeriram como actuar depois de já terem acontecido. Se, por um lado, aquele menino podia ser o nosso filho; por outro, os outros que o agrediram também podiam ser os nossos filhos. E ninguém arrisca. Abriu-se um inquérito e, de repente, começamos a ouvir, vezes de mais, as palavras "alegadamente" e "eventuais".
Meio acordado, em choque, o país enfrenta a dura verdade - que amiúde nega - de que as crianças, os pré-adolescentes, os adolescentes não são anjinhos, desprovidos da dimensão mais negra do ser-se humano. Enfrenta, a medo, que a crueza e a crueldade serão tão naturais no animal humano como a compaixão e a empatia. E que numa criança tudo isto está em evidência de forma mais intensa, porque a auto-regulação aprende-se com o tempo, com a vida, com os exemplos. Com a Educação, enfim. Então, o que falhou aqui? Em Mirandela, e no Mundo inteiro onde haja um recreio com crianças?
Vigilância. "São precisos mais vigilantes nos recreios. O recreio de uma escola é tão importante como a sala de aula. É nos recreios que estas coisas acontecem. E depois são precisos mais psicólogos nas escolas", avançou o psiquiatra Daniel Sampaio. Resolverá este problema toda a vigilância do Mundo? "É necessário que a escola, a partir dos alunos, desenhe um programa de actuação para evitar a violência entre pares. É sensibilizar, é responsabilizar, é educar. Estas situações evitam-se através das testemunhas que não podem permitir, não podem silenciar", continuou.
O Leandro não viveu para esse admirável mundo novo onde a justiça se impõe ao medo. As águas do rio Tua engoliram a aflição, o desespero, a ausência de esperança deste menino. O país quis saber e parte da comunidade local respondeu titubeante. A Associação de Pais , por exemplo, começou por dizer que não havia registos de violência na escola, admitindo depois que, afinal, não era bem assim. A escola ficou-se por poucas palavras. Demasiado poucas...
Volvida uma semana, surgem os especialistas. Para uns, a culpa é da escola e da associação de pais; para outros, é dos pais que não aparecem na escola quando são convocados para resolver o comportamento dos filhos; para outros ainda, é do porteiro. E todos avançam soluções para o futuro, para que não se repita. Mas, entretanto, morreu um menino, o Leandro; e ninguém, ainda, falou, dos colegas que o maltrataram. A culpa parece ser de todos (tenham ou não tenham condições de trabalho), menos de quem o maltratou. Ainda ninguém perguntou: o que fazer com estes miúdos?
"Se forem identificados têm que ser punidos. Devem ser punidos de acordo com o regulamento da escola. A escola tem que ter um regulamento que contemple estas situações. Uma solução deverá ser o trabalho comunitário. Trabalho para a escola. É preciso responsabilizar ", concluiu.
Responsabilizar, a palavra temida
Responsabilizar. Parece ser esta a palavra que custa tanto dizer relativamente às crianças, aos pré-adolescentes, aos adolescentes. Colocar panos quentes - branquear - parece ser mais fácil do que desmontar esta ideia de que os meninos são anjos. "A representação que os adultos fazem das crianças é que estas são felizes e boazinhas", justificou Paula Cristina Martins, investigadora da Escola de Psicologia, da Universidade do Minho.
Esta psicóloga toca no ponto nevrálgico: "As crianças são pessoas. Ponto. E pessoas que vivem de uma forma muito mais intensa as suas emoções - tanto as negativas como as positivas -, porque lhes faltam mecanismos de regulação". Ou seja, falta-lhes filtro, estão em estado bruto, verdadeiro, puro, sendo que pureza não significa apenas generosidade. É ao longo de uma vida que vamos aprendendo a civilização, por oposição à animalidade de que, na base, somos feitos. Todos. "Começa-se pela hetero-regulação, isto é, são os pais, os educadores, que regulam o comportamento do jovem; depois passa-se a uma fase de co-regulação, em que o menor vai aprendendo com o outro como se controlar. Finalmente, chega-se à auto-regulação, isto é, aquele, sozinho, consegue decidir e encontrar o seu equilíbrio", explicou esta investigadora.
O equilíbrio para contornar um dos nossos instintos mais básicos e difíceis: a agressividade, a necessidade de ter e proteger território. De ter poder.
A base do bullying
Poder. Uma criança, um pré-adolescente, um adolescente são pessoas a nascer para o grupo. Enquanto que em casa têm o seu papel definido, fora de portas são apenas um entre milhares. Nada mais natural do que, instintivamente, engendrar formas de contrariar esse anonimato. Há uma necessidade de afirmação. No seu lado mais negro, essa afirmação faz-se à custa do outro. Da troça, da ridicularização, da humilhação, da ameaça, da força física.
"Há um elemento ou um grupo que identifica outro como sendo mais vulnerável - ou porque usa óculos, ou porque é mais gordinho ou magrinho, ou porque se veste de forma diferente - e vai agir sobre essa vulnerabilidade. Utilizando a derrubação, fica no centro das atenções. Dá-lhe status, poder ", evidenciou D'Jamila Garcia, psicóloga e a cumprir doutoramento nesta área.
Se o alvo não se defende, a tendência é repetir-se outra vez. E outra e outra. Até porque, a dada altura, isto engloba todos os que estão à volta, quanto mais não seja, porque ninguém denuncia. "Acabam por auxiliar o agressor, ou com reforço positivo, quando puxam pela vítima ou avisam o agressor de que ela vai ali a passar; ou quando silenciam, por entenderem que não têm força para intervir ou desvalorizarem o sofrimento da vítima. Para estes, é só na brincadeira. A dada altura, isto já não pára - a não ser que haja intervenção dos adultos - porque os papéis já estão definidos e já se espera aquele comportamento do agressor", alertou aquela investigadora.
As consequências são devastadoras: o agressor aprende a relacionar-se na base da humilhação; e a vítima enfrenta o desespero, o medo, o isolamento, a vergonha, traduzidos muitas vezes no absentismo para escapar à tortura. No caso do Leandro, o suicídio. "Explicados os mecanismos e as causas, não nos percamos nelas. Preocupemo-nos com a solução", pediu D'Jamila Garcia.
Solucionar: tolerância Zero
Solucionar passará por, primeiro, perceber que as crianças não são anjos, antes seres em construção. E ocorrem três atitudes em desuso: vigilância, educação, responsabilização. Passará, depois, por envolver a comunidade inteira. "É preciso, de facto, uma aldeia inteira para educar uma criança", avança Ana Maria Tomás Almeida, investigadora da Universidade do Minho.
"Todo o contexto e todas as circunstâncias são para ter em conta. A tolerância deve ser zero e, para isso, temos que implicar a escola, os pais e os miúdos numa procura de responsabilização. Mostrar-lhes o que fazem e as consequências do que fazem. Mas não pode passar apenas pela contenção, pela proibição, porque, depois, quando não estão perto do adulto, voltam a repetir comportamentos mais agressivos. Tem que passar por uma educação que os inclua numa procura de responsabilização", afirmou a investigadora.
Basicamente, "a necessidade de afirmação tem que assumir formas socialmente aceitáveis", atira Paula Cristina Martins. Os pais, a escola, os alunos devem perceber que comportamentos destes não são aceitáveis. "Quando o bullying ocorre, ninguém o pode ignorar. Os colegas, por exemplo, não o podem permitir, devem denunciar. Não pode ser desvalorizado por ninguém. Não é uma brincadeira. Tem consequências", reiterou D'Jamila Garcia.
No caso do Leandro, a consequência foi a morte. Não pode ser permitido assobiar para o lado. Incluir a escola, os pais, os alunos nesta discussão é imperativo, bem como dar-lhes os meios e a autoridade para desempenharem os seus papéis. Importará, obviamente, prevenir o futuro, atribuindo a todos os intervenientes apoio. E responsabilidades. Mas importará demonstrar, também, e desde já - porque morreu uma criança - que comportamentos destes não são toleráveis. Mesmo que quem os tenha sejam os nossos filhos. Que não é possível branquear a troça, a ridicularização e as humilhações repetidas. Porque podem levar à morte de outrém. Como no caso do Leandro. Que tinha 12 anos. Apenas. 



