Cinco dicas para acabar com o stresse...

Dizem os estudos que, mais do que os genes ou fatores de risco como o tabaco, é o stresse a variável mais importante na hora de determinar quão longa vai ser uma vida. E, surpreendentemente, as formas mais perigosas de stresse são aquelas que parecem mais inofensivas. Várias investigações demonstram que não são as pessoas que ocupam cargos de topo, de enorme responsabilidade, aquelas que estão mais em risco, mas as que ocupam os últimos degraus na escada social e laboral. Não são as horas extras que mais matam. É a frustração pela total ausência de controlo sobre as nossas responsabilidades.

Enquanto a ciência continua à procura de respostas para atacar o stresse, o trabalho dos investigadores vai dando pistas para prevenir que este se torne um problema. Um bom princípio é organizar e controlar a nossa vida para evitar que esta se torne um vulcão de ansiedade - aspirações demasiado irrealistas, por exemplo, seja na vida profissional ou quotidiana, são terreno fértil para a frustração e o stresse.
1. Enfrente os seus medos
Há outras estratégias para se defender. Começa por enfrentar os medos. Um estudo realizado com paraquedistas noruegueses demonstrou que estes apresentavam doses massivas de stresse quando se preparavam para dar o primeiro salto, mas tornavam-se menos ansiosos à medida que a experiência se repetia. O stresse manifestava-se apenas durante o próprio salto, ou seja, quando o organismo precisava dele.
A cartilha antistresse passa também pelos nossos hábitos. Anote: não abuse do álcool e durma o suficiente. Apesar do álcool ser um ansiolítico quando bebido com moderação, o seu efeito é contrário se tomado em excesso. A ingestão de uma quantidade superior a um grama por litro liberta uma grande quantidade de hormonas de stresse. Dormir bem também é importante. Investigações recentes demonstram que basta uma noite mal dormida para provocar um aumento súbito na libertação de hormonas de stresse. A cruel ironia é que este fenómeno torna mais difícil adormecer. É um círculo vicioso: mais stresse conduz a mais insónia, o que ajuda a explicar o porquê de os problemas de sono serem um fator de risco para a depressão.
3. Fuja dos conflitos
Se quer ter níveis de stresse baixos deve manter-se longe de confusões. Ao observar babuínos, Robert Sapolsky identificou traços de personalidade que estavam associados a baixos níveis de hormonas de stresse. Entre eles estava a capacidade de se afastarem de provocações. Os babuínos mais pacíficos ficavam não só mais tempo no topo da hierarquia do grupo, o que reduzia a sua ansiedade.
4. Exercite-se e medite
A meditação pode ajudar. Bastam dez minutos, uma ou duas vezes por dia, para esquecer as preocupações. Já o exercício físico pode ter efeitos antagónicos. Ainda que seja uma excelente 'pílula antistresse', os seus efeitos só se fazem sentir se o fizermos de livre vontade. Se formos forçados a ir para o ginásio os níveis de stresse não vão diminuir. Pelo contrário, poderão aumentar.
5. Faça amigos
Vários estudos têm revelado que as pessoas com menos amigos ou familiares próximos têm uma menor esperança de vida, o que pode ser explicado pelo stresse associado à depressão. Sendo assim, deixe tempo para quem mais gosta. Se quer ver o stresse longe, mantenha os amigos por perto.
Adaptado da Única de 23 de Dezembro de 2010